quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Já deu o que tinha que dar

Bem que hoje em dia celular poderia vir com um aviso prévio das ligações a receber ou talvez fosse capaz de emitir algum sinal avisando se trará boas notícias antes mesmo que você atenda. Parece loucura, mas muitas vezes no final de uma ligação fico questionando comigo mesma: maldita hora que fui atender. Hoje aconteceu isso comigo e em seguida fui invadida por um turbilhão de sentimentos que sinceramente não consegui entender, acho que estou confusa até agora. Tem certas coisas que nosso ouvido deveria barrar, antes mesmo de ser processado pelo cérebro; isso evitaria muitas situações desagradáveis. Ainda não estou conseguindo definir nada, sinto uma espécie de raiva perdida no meio da saudade, tentando encontrar o esquecimento que tenta se ver livre de toda essa confusão. Será que chegamos ao fim? Ou ainda seria muito cedo pra dizer isso, mesmo com todo o tempo que durou? Infelizmente não da pra responder. Eu só queria que cada vez que alguma coisa tirasse o sorriso da minha cara, perturbasse o meu sono e me distraísse a cada cinco minutos eu pudesse tacar fogo, colocar um ponto final e passar por cima; qualquer coisa pra não me deixar parar, não me desanimar. Eu tenho que seguir, eu preciso; então me deixe por favor. Me vejo perdida no meio das atitudes que devo ou não tomar, pra que lado correr? Será que da pra eu ficar parada por aqui mesmo, quietinha em um canto que ninguém pudesse me encontrar pra dizer o que tenho ou não que fazer e ficar só com os meus pensamentos até o tempo passar e me mostrar novamente o caminho? É difícil ter que seguir sozinha, mas não há outra escolha quando não se sabe mais em quem confiar. Acho que depois de hoje vou me tacar no mar e deixar que as ondas me levem, que seja pra qualquer lugar, de preferência longe daqui, onde além do meu corpo, que meus pensamentos mudem o foco, sigam outro rumo. Chega uma hora que é preciso organizar as posições e definir as prioridades! Aí sim você passa a enxergar muita coisa que antes não estavam bem nítidas; isso é necessário. Entre dizer tanto e ao mesmo tempo nada, só quero dizer que espero ansiosamente que esse processo que vai me fazer olhar pra outro lado, não demore. Preciso disso com urgência ou se não vou ficar tropeçando a cada passo que der. Largar o passado é muito mais difícil do que se imagina, ainda mais quando ele volta cutucando o seu presente e mostrando que ainda está ali, só que de uma forma completamente diferente. sinceramente não sei o que é pior, como era antes ou como voltou tudo agora. 

Independentemente, vou pelo admirável Caio Fernando Abreu: "Vai passar!" 

Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai agüentar, mas agüenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai agüentar, mas agüenta: as dores da vida. Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já tá lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo – é difícil de acreditar, eu sei – vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. “É melhor viver do que ser feliz”. Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, dói demais. Mas passa. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar. (cfa)

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